Marco Pólo Ribeiro, 55 anos, economista e professor de Economia Brasileira da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais afirma que o grande desafio do PAC é crescer dentro das limitações impostas pelo Bacen (Banco Central do Brasil). Segundo ele, o problema do crescimento econômico do Brasil é dos Ministérios do Planejamento e da Fazenda que entra diretamente em choque com a política do Bacen. Prioriza-se, antes de qualquer ação mais audaciosa, o medo da inflação, trabalhando, portanto, no sentido de “manter a inflação estável”, diz.
Criado pelo governo brasileiro no dia 22 de janeiro deste ano, o PAC é um pacote de medidas econômicas, entre elas sete decretos e sete medidas provisórias, que visam promover o crescimento econômico do país. De acordo com o governo, essas medidas surgiram em razão da lenta performance econômica do Brasil nos últimos anos. No ano passado, o país apresentou um crescimento de apenas 2,9%, pouco mais da metade da economia mundial, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Assim, o grande objetivo desse plano é retomar o crescimento e alcançar as metas de 4,5% em 2007 e de 5% em 2008.
Porém, o alvo estabelecido para este ano é questionado em virtude da ortodoxia do Banco Central que insiste em praticar uma alta taxa de juro Selic. Mesmo com a queda 0,25% ponto percentual, fixando, assim, a taxa em 12,75%, ela, ainda assim, é muito elevada, se comparada à de outros países. O dobro da taxa de juro da Turquia, que apresenta a segunda maior do mundo.
Tendo em vista a postura do Bacen, Marco Pólo critica o conservadorismo do Banco e afirma que a inflação não depende da taxa de juros, mas da taxa de câmbio. “Enquanto o dólar estiver a R$ 2,00, não tem risco de inflação”, argumenta.
Ele ainda vai mais longe em suas críticas e afirma, categoricamente, sobre a não-autonomia do Bacen: “Eu digo que o BC pertence à Febraban” (Federação Brasileira dos Bancos), diz, com segurança. Segundo Marco Pólo, os banqueiros são os grandes responsáveis pelas altas taxas de juros praticadas no país.
A grande lesada com a política econômica adotada é a população brasileira. Segundo Marco Pólo, a carga tributária brasileira é afetada com a política de juros altos. O dinheiro utilizado para saldar a dívida com os bancos é transferido para a população sob a forma de impostos, o que faz com que o país, tenha a maior carga tributária do mundo. “150 bilhões pagos de juros aos bancos, vêm dos impostos”, avalia.
Marco Pólo afirma também que a elevada taxa de juros é um problema da história administrativa do Bacen, uma vez que a maioria dos presidentes do Banco presidiu grandes corporações financeiras privadas. O próprio Henrique Meirelles, atual presidente do Bacen, exerceu a função de presidente do Banco de Boston (recentemente comprado pelo banco Itaú), no Brasil, de 1984 a 1996. Ele também dirigiu mundialmente o BankBoston Corporation, em Boston, nos Estados Unidos, de 1996 a 1999.
Outro exemplo recente que ilustra a afirmação de Marco Pólo é o do economista Armínio Fraga Netto. Ele ocupou a principal função do Bacen no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso e é membro do Conselho de Administração do Unibanco.
Texto redigido para a matéria jornalismo econômico. A pauta era entrevistar um economista sobre a situação econômica do país.

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